Os missionários e a adoção de órfãos no Haiti
Esses missionários de uma igreja batista norte-americana presos no Haiti sob a acusação de tentarem retirar crianças ilegalmente do país mostram como o inferno esta cheio de boas intenções. Eu consigo dar crédito a história deles de que estavam lá para dar um apoio aqueles órfãos. Mas aí começo a pensar se uma ação bem intencionada dessas não seria feita em conjunto com a ONU, Cruz Vermelha, com as autoridades locais que ainda restam. Porque é meio complicado você resolver que vai retirar crianças de uma situação dessas assim informalmente. Eu duvido que eles fizessem isso em seu próprio país para salvar crianças da tragédia de New Orleans, por exemplo. Lá também crianças ficaram ao Deus dará no meio das inundações. Enfim, mesmo que essa gente estivesse bem intencionada o seu modo de agir traz a arrogância do missionário que parte para salvar os infiéis sem mesmo querer saber se eles querem ser salvos. Os missionários que saíram pelo mundo a civilizar os homens sem importarem-se muito com a realidade que encontravam, desprezando a priori as religiões e costumes locais. Gente que no afã de evangelizar desrespeita a terra onde chega. Qualquer um ficaria comovido ao encontrar um órfão perdido em uma tragédia como a do Haiti. Qualquer um se sentiria pronto para ajudar essa criança, cuidar de seu sofrimento. Muitos poderiam sentir-se tentados a adotá-la ou a ajudá-la a conseguir uma nova família. Daí a colocar essas crianças para fora de seu país sem deixar com as autoridades nenhum registro de suas viagens, sem que ninguém saiba para onde estão indo e nem tenha controle de quem irá guardá-las vai um caminho muito grande. Instituições religiosas trazem consigo uma promessa de bom tratamento para os necessitados em geral. No entanto, a realidade mostra que também dentro dessas insituições muita crueldade, muita perversão coexistem com as promessas de redenção. Enfim, acho que esse pessoal deve penar um pouquinho lá pelo Haiti e explicar timtim por timtim o que eles estavam fazendo com essas crianças.
Escrito por Jose Mattos às 10h31
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Chávez: a queda se avizinha
A queda de Chavez na Venezuela começou. Se ele irá resistir por mais 1 ano ou dois anos eu não sei. Talvez caia em meses. Mas é irreversível na medida o Estado dominado por ele não consegue mais dar conta de suprir a população de ítens essenciais de sobrevivência tais como água, luz e gêneros alimentícios. Hugo Chavez será pelas próximas décadas alvo de estudos políticos. Sua trajetória dissecada por gente contra e a favor dele, por professores de política desejando extrair algum conhecimento de seu período de governo. Embora a gente tenha que ter muito cuidado com a afirmação de que a história se repete, no caso venezuelano ela se repetiu. O que vemos já foi visto desde que existe política no mundo. Um governante manter-se no poder deixando seus principais assessores lucrarem financeiramente e ser este lucro indevido a principal causa de sua sustentação. Imperadores romanos, monarquias européias, czares, são inúmeros os exemplos. Chávez para levar adiante a sua revolução bolivariana (uma idéia estapafúrdia para início de conversa) precisou comprar o apoio de diversos segmentos da sociedade bolivariana. E a moeda de troca dessa aliança foi a permissão para uma corrupção desenfreada tomar conta do país e atingir patamares impressionantes mesmo se considerando a história do nosso continente. Crious-se uma nova classe econômica formada pelos beneficiários dos negócios gerados nesse ambiente corrupto. Uma burguesia bolivariana ávida por lucros imediatos aceitava aplaudir os discursos intermináveis de Chávez e cobrava o ingresso em comissões cada vez maiores. Agora a Venezuela sofre os efeitos de tantos desmandos. Está sem água, sem luz, e com o seu sistema produtivo destruído. Quem ficou rico com Chávez já começa a mudar de lado e a achar os seus dicursos chatos. O importante agora é o pós-Chavez. Como eles sairão disso? Como irá governar essa terra arrasada em que se transformou a Venezuela? Chávez já carimbou seu passporte para o passado do país. Esta aguardando apenas a hora do embarque.
Escrito por Jose Mattos às 10h55
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Preparando o Rio para a Copa e as Olimpíadas
Como todo carioca eu estou bem feliz com as notícias frequentes de como a nossa cidade irá ser mais maravilhosa ainda após todas as obras destinadas a torna-la capaz de receber a Copa e as Olimpíadas. Quer dizer, eu também fico um pouco envergonhado. É como se eu vivesse em uma casa caindo aos pedaços e que de repente soubesse da visita iminente de uns afastados primos ricos. E para piorar a vergonha eu realizasse que a casa estava assim lamentável por meu relaxamento e não por falta de dinheiro ou tempo para cuidar dela. Porque dar uma revisada em uma casa antes de receber hóspedes é normal. É trocar o tapete do banheiro onde nunca se vai, é lubrificar uma porta que esta rangendo, até uma pintada no quarto de hóspedes, são medidas normais. Agora, por aqui o que irá ocorrer é muito diferente. Para continuar com a mesma imagem, nós vamos ter que mudar os sofás furados que estão na sala, a mesa de jantar queimada de panela na qual comemos todos os dias muito felizes, desentupir os ralos da cozinha, consertar a goteira dos banheiros e por aí vai. O fato da gente ter deixado a coisa chegar até aí e continuarmos muito felizes a viver nesse cafofo horroroso diz mais de quem somos do que “a simpatia, o algo mais e a alegria” cantada por Jorge Ben Jor e que nós incorporamos como se fosse verdade. Ou nós mudamos radicalmente as nossas referências sobre o que é uma cidade boa para se viver ou nós vamos nos limitar a realizar mais uma maquiagem. E como sabe toda mulher depois de certa idade maquiagem tem seus limites. Essas Unidades Policiais Pacificadoras parecem ser um bom início. Parecem ser um intervenção séria e com reflexos que são percebidos pela população da favela onde se instalam e da cidade em geral. Outras medidas anunciadas já parecem mais maquiagem como esse tal choque de ordem. Vamos acompanhar, daqui a um ano a gente já vai saber se estamos mudando o sofá de lugar para tampar o furo no tapete ou se realmente vamos abrir as paredes e trocar a tubulação podre.
Escrito por Jose Mattos às 10h20
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Direitos Humanos
Esse debate a respeito do documento do governo sobre direitos humanos é interessante. Eu sou Católico, creio então que o homem é filho de Deus e portanto para mim direitos humanos são inegociáveis. Estão escritos no cerne da minha crença. Ser católico hoje obriga a pessoa a refletir profundamente sobre Direitos Humanos. A começar pela questão do aborto – afinal quando se iniciam os direitos humanos, no momento mesmo em que o espermatozóide perfura o óvulo, quando o feto toma formas humanas, a partir de quando estamos diante de um filho de Deus com todas as suas prerrogativas – passando pelo confronto com as diversas ideologias materialistas que não reconhem no homem nenhuma divindade e ao contrário propõe o homem como um fator econômico. Bom, mas eu vou deixar essas divagações mais profundas para quem entende e vou direto ao meu ponto. Que direito tem um Estado que não cuida de suas cidades, que não cuida de dar mínimas condições de vida a seus cidadãos de doutrinar na matéria de direitos humanos? Um estado que permite a favelização das cidades, se omite frente a gangues de traficantes que oprimem pessoas humildes, que deixa construir em áreas alagadiças e não se apieda de quem tem sua casa, seus pertences levados pelas enxurradas. Que deixa isso repetir-se ano após ano? Um Estado que não prepara as vias públicas para os cidadãos com incapacidade física, que não cuida de alfabetizar as crianças, que deixa as pessoas morrerem nos corredores dos hospitais públicos, que direito tem esse Estado de vir falar de direitos humanos como se vivessemos em um país onde todas essas questões já estivessem resolvidas e portanto podíamos então ir com lupa procurar minorias cujos direitos porventura tivessem sido desrepeitado? E o que a instituição da imprensa livre tem a ver com isso? Direitos Humanos no Brasil é uma matéria engatinhando. Tem sorte os nossos governantes de que o nosso povo não tem consciência sobre os seus Direitos Humanos e deixa passar escândalos em que o dinheiro para hospitais vai parar em meias e cuecas.
Escrito por Jose Mattos às 16h55
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Quero sair dessa merda!
Um dia você acorda normal, vai fazer um exame e horas depois esta no hospital, cercado de médicos nervosos que lhe dizem que esta tudo bem, mas você esta de dieta zero sem poder comer ou beber. Vai ter que fazer uma tomografia, tirar o sangue, mas, fique calmo, esta tudo bem. Você não sente nada de assustador. Não sente dores, enjôo, tontura, febre, mas esta lá estendido em uma cama do setor de emergência aguardando remoção para o apartamento. De quando em quando aparece uma enfermeira sorridente, pega sua mão, sorrí e pergunta como você esta passando. Você começa a se perguntar se é possível alguém morrer assim sem sentir nada? Cadê a dor, cadê a angústia, a tal vida que passa pela consciência dos moribundos? Não, não exagere, acredite nos doutores, você já vai sair dessa..., mas você esta de dieta zero e vai fazer outra tomografia só para conferir o resultado da primeira. Ê conversinha. No leito da emergencia ao seu lado, separado apenas por uma cortina, esta um senhor com a cabeça quebrada. Pelas conversas você entende que ele sofre de Alzheimer e caiu no banheiro por um descuido da filha. A filha chora, a mãe a consola e o senhor xinga. Quero sair dessa merda! Papai, papai, nós estamos num hospital, não fale assim. Quero sair dessa merda! Ivone, vamos embora dessa merda! Finalmente você vai para o apartamento. Ele é grande, tem um terraço debruçado sobre um parque. Podia ser um quarto de hotel de luxo. A roupa de cama é de boa qualidade, o colchão é bom, o ar condicionado faz esquecer o verão. Você se lembra do velho na enfermaria e concorda com ele. Quero sair dessa merda!
Escrito por Jose Mattos às 22h49
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Quem explica o inverno no hemisfério norte?
É incrível que todas essas imagens da China e da Europa debaixo de neve não levem a nenhum dos nossos jornais a solicitarem a opinião da turma do aquecimento global. Há um mês mais ou menos eles estavam na maior saliência dando entrevista lá de Copenhage. De repente, silêncio. E tome neve, e tome recorde de frio e tome chuvas de verão por aqui. Não seria a hora de perguntar para eles o que está ocorrendo? Se esse frio é parte do processo de aquecimento? Se esta esfriando mais para depois esquentar mais ainda? E como ficam as séries de temperatura de inverno dos últimos dez anos se for considerado esse frio de agora? Enfim, eu não duvido que eles tenham resposta para tudo isso e muito mais. Mas custa perguntar?
Escrito por Jose Mattos às 11h04
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O menino Sean, o pai "biológico" e a midia
Eu assistí ao noticiário matinal da televisão e a principal notícia era sobre a decisão da justiça de entregar o menino Sean ao seu pai. Se é que alguém ainda não sabe da história, ela colocada em duas linhas se resume em que o pai e a mãe de Sean eram casados e viviam nos EUA. Separaram-se e ela voltou ao Brasil com o menino. Aqui conheceu um outro parceiro com quem casou-se mantendo a guarda de Sean. Por infelicidade ela morreu e o pai do menino então naturalmente apresentou-se para continuar a criá-lo. Eis que o padrasto e a família da mãe resolveram acionar a justiça para manter a guarda da criança. Então vamos lá: um cidadão tem um filho com sua esposa. O casamento termina e a guarda do filho fica com a mãe. A mãe casa-se de novo e continua com a guarda. Até aí estamos seguindo a regra geral de que na primeira infância sempre a mãe deverá ter a preferência na criação. Mas aí saímos do “normal” com o fato de que a mãe embora jovem e saudável morre em consequência de complicações no parto de um segundo filho com seu novo esposo. Ou seja, para voltarmos ao normal o pai deve então continuar a prover a criação de seu filho. O pai não se furta a essa obrigação e se apresenta para cumpri-la. Parece simples, não? Ok, familia e simplicidade não são sinonimos, mas porque cargas d’água esse menino deveria ser criado pelo padrasto se ele tem um pai que deseja (e pode) criá-lo? Ou seja o que a família da mãe deseja evitar é que o menino seja criado pelo pai. Como ela falhou em apresentar razões para fundamentar esse desejo ficou parecendo capricho ou, talvez, conseqüencia de mágoas do casamento/divórcio da filha. O fato é que muita gente não concorda comigo e acha que esse menino deve ser privado de seu pai e ser criado pelo padrasto. Agora, viraram o negócio e estão dizendo que seria criado pelos avós. No entanto quem consultar o começo da história nos veículos de informação vai encontrar até reportagem do padrasto declarando amor a criança ( eu não duvido disso, mas, francamente, não vem ao caso). Bem, após toda essa digressão consegui voltar ao assunto que é o noticiário da manhã sobre o caso. Pois não é que o pai do menino foi o tempo todo referido como o pai biológico! Ora, só há pai biológico. E esse biológico repetido insistentemente parecia diminuir a paternidade do menino, como se “biológico” fosse uma circunstância da paternidade e não sua razão. Como sempre o diabo esta nos detalhes.
Escrito por Jose Mattos às 09h55
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Coutinho, Tostão e a eleição no Flamengo
Lendo esses comentários ligando futebol a política, comparando Serra e Aécio a Coutinho e Tostão a gente se impressiona com a capacidade brasileira de falar, divulgar e repercutir bobagem. É infindavel. E podemos dizer que nunca antes nesse país esse traço da nossa personalidade foi tão presente. Assim sendo, vou continuar com esse besteirol de futebol e política e chamar a atenção para um fato futebolístico que faz qualquer um ver como a política é complexa e como ganhar uma eleição é difícil. O Flamengo é tricampeão carioca (que desgraça...) e hexacampeão brasileiro (isso já beira uma praga bíblica contra nós botafoguenses). Mas o que interessa aqui é que um dia após ter conquistado esse hexacampeonato ocorreram eleições no Flamengo. E a oposição ganhou. Ou seja, a diretoria que levou o Flamengo ao tricampeonato e a conquista do sexto título brasileiro foi colocada para fora pelo voto dos sócios um dia após essas conquistas. Considerando-se que todos os sócios votantes compartem o mau gosto de torcerem pelo Flamengo vê-se que apesar dessa paixão (perversão?) eles não estavam somente preocupados em ver o Flamengo ganhar, mas também em como o Flamengo estava sendo administrado. E uma vez que essa administração não os havia satisfeito em esse terreno eles agradeceram os títulos mas preferiram pessoas mais adequadas. Portanto, há esperança.
Escrito por Jose Mattos às 09h45
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Honduras e Paraguai: quando os elos mais fracos sutentam a corrente
Há um ditado que ensina que a força de uma corrente é dada pelo seu elo mais fraco. Eu sempre acreditei nisso até aparecer Honduras. Aí pude perceber que também para essa regra há exceção e um elo fraco pode suportar uma corrente composta de elos mais resistentes. Honduras segurou a democracia no continente ao ser o primeiro país que realmente barrou o desenvolvimento da “democracia plebiscitária” que vem infestando os países da América do Sul, da América Central e do Caribe. Agora, vejam só, é o Paraguai quem se propõe a repetir a façanha e dar o segundo passo para colocar a coisa nos eixos. Argentina, Brasil e Uruguai cederam aos apelos comerciais de Hugo Chavez e aceitaram a Venezuela no Mercosul apesar de todas as evidências de que esse senhor irá trazer mais problemas do que alegrias ao bloco. Para ele entrar no bloco falta o sim do Paraguai. Ora se Brasil e Argentina já toparam o normal seria o Paraguai votar igual. Mas, segundo o que estamos lendo, o Congresso paraguaio esta bastante motivado para vetar a entrada de Chávez. O Senador Miguel Carrizosa declarou que é contra pelas continuadas interferências de Chavez na política interna do país. Ou seja, o mesmo delito político que fez Honduras defenestrar a Zelaya de pijama e tudo. Esse nosso continente é mesmo surpreendente e aí estamos com os menores dando exemplo de força aos maiores. Vamos ver se o Paraguai conseguirá também resistir ao intenso lobby bolivariano. Aliás, vamos torcer para que isso ocorra.
Escrito por Jose Mattos às 15h56
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Copenhage, o clima e os chocolates.
Essas enchentes em São Paulo são mais educativas a respeito de como estamos administrando mal o nosso meio ambiente do que todo esse palavrorio chegando de Copenhage. É difícil entender como alguém vende um lote de terra – legal ou ilegalmente – em um bairro chamado de Jardim Pantanal. Mais difícil ainda é entender como um cidadão compra um terreninho no Jardim Pantanal. E é extremamente difícil entender como a prefeitura de São Paulo deixou surgir e prosperar o Jardim Pantanal. Olhem, esse é o exemplo da vez, mas há Jardins Pantanais espalhados por todo o Brasil (realmente por todo o mundo) e eles são produtos de ignorancia, cobiça e má gestão pública. São produtos da falta de consideração com o meio ambiente, com o total descaso com a natureza. O clima político no Brasil já é de sucessão e eu não vou envolver o blog nisso, quando for a hora eu vou lá voto e pronto. Isso dito, é ridículo vermos os políticos brasileiros irem desfilar em Copenhage sem terem feito o mínimo dever de casa. Por que não há como exonerar as administrações municipais brasileiras de sua responsabilidade pelas barbaridades urbanísticas cometidas sejam nas encostas dos morros das nossas principais cidades, seja na ocupação de pantanos em áreas contíguas a rios, lagoas e até mesmo o mar. Quem entrar um pouco a fundo nesse problema descobrirá um vereador, um deputado, atrás de cada loteamento irregular. Um cidadão inconsciente que por um punhado de votos usou seu poder para evitar uma ação da cidade para impedir ou relocar uma urbanização mal situada e irregularmente ocupada. O fim do filme é sempre o mesmo. A favela cresce e fica de um tamanho impossível de ser manejado. É um fato consumado e custará à cidade milhões e milhões de reais em obras públicas dar um mínimo de condições sanitárias e serviços públicos a essas populações. Essas obras públicas servem para políticos conseguirem mais votos em troca desses benefícios. Depois, quando chove e enche a culpa é da chuva e a chuva é culpa das mudanças climáticas e as mudanças climáticas são culpa dos carros, do ar condicionado, dos gases das vacas. E aí a gente liga a tv e estão os nossos próceres políticos a desfilar baboseiras e falar de compromissos e coisa e tal. Vamos combinar que a respeito de Copenhage a gente vai na loja mais próxima comprar uns chocolates enquanto aguardamos alguma política real de meio ambiente em nossas cidades. Ou seja, vamos engordar muito comendo chocolates Kopenhagen.
Escrito por Jose Mattos às 07h41
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Copenhagem, aquecimento global e o bug do milênio.
Essa conferência de Copenhagem esta tão falada, tão noticiada e comentada que, que...eu não aguento mais. Tudo bem, eu nunca fui um cidadão ecochato ou biodesagradavel. Mas com o tempo fui me concientizando que a humanidade esta mesmo transformando a terra em uma enorme lixeira e se isso não for resolvido nós vamos pagar cada vez mais caro. Cidadão carioca, eu já sei o que é não poder tomar banho de mar no Flamengo e em Botafogo as duas praias com a melhor vista do Pão de Açucar. E já me acostumei a sentir o fedor do canal que separa a Ilha do Governador do Continente cada vez que passo na linha Vermelha. São dois exemplos mínimos, tímidos, mas que uma vez multiplicados demonstram que necessitamos de uma correção de rumo. Quando eu já estou assim quase convencido e pronto para sair por aí abraçando a Lagoa Rodrido de Freitas, as árvores da floresta, os seixos dos rios da Mantiqueira eu me lembro do bug do ano 2000, o famoso bug do milênio ou Y2K como ficou conhecido entre os entendidos... Para quem é muito novo ou tem memória muito curta lembro que lá pelos idos de 1998 surgiu uma corrente de técnicos prevendo que na passagem de 1999 para 2000 todos os computadores do mundo entrariam em pane. A razão seria que na memória deles os anos estavam marcados com apenas os dois dígitos da dezena: 31/12/99. Ora, diziam os sábios de plantão, ao mudar-se o milênio os computadores elouqueceriam porque não saberiam a qual milênio se referia essa dezena. Ou seja: 31/12/99 poderia ser 30/12/1999 ou 31/12/2099. Gente, isso foi uma festa para milhares de consultores que implementaram projetos caríssimos para prevenir essa confusão. Esta claro que se ela ocorresse os computadores realmente poderiam falhar e haver perda de dados. Mas a coisa foi levada a um extremo inacreditável. Custou-me um reveillon de plantão passado no escritório a espera do bug do milênio. A companhia encomendou uma ceia de Natal e lá ficamos nós aguardando o ano no escritório. E notem vocês que o ano começa a virar na Austrália. Ou seja, quando lá o ano virou e os computadores de lá não piraram era um sinal inquívoco que a situação estava sob controle. Mesmo assim eu e muita gente tivemos um animado reveillon empresarial... Bom, quando vejo todo esse nervosismo a respeito do aquecimento global eu não consigo deixar de lembrar-me do bug do milênio...
Escrito por Jose Mattos às 10h12
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Heresias variadas
Acordei pensando na Hagia Santa Sofia. Pisquei os olhos e me vieram as imagens da Notre Dame, da Mesquita Azul, da Catedral de São Marcos, da Mesquita de Córdoba, da Mesquita do Sheik Zayed em Abu Dhabi. Epa, será que Jesus esta me chamando? Bem, se estava desistiu por um momento e cá estou vivo ainda, mas embatucado com tanta igreja logo de manhã. Esses templos, e milhares de outros espalhados pelo mundo e dedicados as mais diferentes divindades e crenças, são a mais evidente tentativa do homem de fazer algo que agrade aos Deuses. Ontem eu escreví umas linhas sobre como deve ser difícil para um cachorro advinhar o que deve ser feito para agradar um ser humano. Alguns cães desistem e vão viver na rua, outros, no entanto, vão buscar jornais que não sabem para que serve, passam horas correndo atrás de frisbees e outros objetos. Fazem isso com tanta dedicação que é claro que imaginam que isso faz sentido para o seu “dono/Deus”. Eles fazem isso para receberem um agrado na cabeça, um alimento, qualquer sinal de garantia de que eles não serão expulsos de casa e vão encontrar ração em suas vasilhas na hora certa. Reis, sultões, imperadores, pensam que Deus, seja ele Javé, Jesus Cristo ou Alah, para ficarmos nas versões mais ocidentais, tem uma relação direta com eles, cuida pessoalmente da vida deles e, portanto, eles se preocupam em agradar a Deus. Replicam então homenagens que eles gostam ou gostariam de receber se fossem Deuses. E tome catedrais, sinagogas, mesquitas, cada uma maior que a outra, pois quanto maior o poder de quem ordenou a sua construção, quanto maior a obra. Um templo é uma forma de tentar dar concretude a algo naturalmente etéreo que é a energia divina. É também um espaço de interlocução com o além, a respeito do qual só sabemos com certeza que está além. Lendo-se a História fica nítido que nem sempre esses reis e soberanos receberam de Deus o afago que buscavam. Quem sabe porque talvez foram buscar um jornal que Deus não queria ler ou quem sabe Deus não estava com vontade jogar frisbee com eles. Bem vou terminar por aqui esse meu ensaio de Paulo Coelho. E domingo, por via das dúvidas, vou a missa pedir perdão por essas heresias.
Escrito por Jose Mattos às 11h06
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Bom humor em Paris e em Istambul
Nós estavamos no Boulevard St. Germain, em pleno Paris turístico, e queriamos saber como irmos até a Place de Voges. Minha mulher empunhava o mapa e se perdia em considerações sobre norte e oeste, o sul é para lá então vamos dobrar a esquerda... O sinal fechou e parou na esquina um frances em uma bicicleta. Eu resolví abordá-lo, peguei o mapa e iniciei a conversa de índio uma vez que o meu frances é precaríssimo. Fui bem devagar ,previnido por todos os comentários que se escuta a respeito da falta de paciência dos parisienses com os turistas. Oú-lá-lá, o notre ami saiu de seus cuidados, pegou o mapa, pegou uma caneta no bolso e mostrou por onde ir. Perdeu até o sinal verde e foi só sorrisos. Nós estávamos na igreja Chora, em Istambul. Essa igreja que é imperdível fica em uma bairro afastado do centro de Istambul. Resolvemos voltar de ônibus baseados nas informações recebidas na portaria do hotel. Logo percebemos que iríamos necessitar de apoio local. Bem, se meu francês é precaríssimo, voces podem imaginar a fluência com que eu falo turco... E sendo o bairro popular, niguém falava inglês, espanhol ou mesmo francês. Confusão danada, vários turcos tentando nos explicar o caminho por gestos, mímicas incríveis, discutindo entre sí, até que finalmente um deles nos colocou em um ônibus e avisou o chofer onde devíamos saltar. A gente não tinha menor idéia se ele havia dito ao chofer o lugar certo e até mesmo se nos colocara no ônibus correto. Turista é turista e nessas horas é melhor relaxar. Logo, logo o ônibus começou a se aproximar de ruas mais conhecidas e saltamos quase no ponto certo. Tudo considerado, uma façanha. Mais uma vez, os habitantes locais mostraram sua solidariedade com os turistas e nos salvaram. Paris e Istambul recebem muito mais turistas que o Rio. E, portanto, seus habitantes devem estar absolutamente cansados de explicarem onde fica a torre Eifel ou a Igreja de Sta. Sofia. Será que nós cariocas temos tanta paciência assim com os nossos turistas?
Escrito por Jose Mattos às 14h34
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Eu, os cachorros e o Botafogo
Eu venho me sentindo em relação ao mundo igual a um cachorro em relação aos homens. Eu sou afagado e não sei o porquê. Eu sou punido e não sei o porquê. O mundo me parece tão misterioso quanto a humanidade deve parecer para os cachorros. As vezes recebo uma bronca pesada no mundo e deve ser porque inadvertidamente sujei a sala da casa. As vezes sinto a mão do mundo acariciando meus cabelos e concluo que de alguma forma o contentei. Eu não estou perdido desse jeito sozinho, que o digam os milhões de supersticiosos que levam esse sentimento ao extremo. Acham que o mundo os atenderá se estiverem vestidos de azul, não passarem por debaixo de escadas e etc. Por que eu estou escrevendo isso? Não sei bem, deve ter algo com o Botafogo e a segunda divisão...
Escrito por Jose Mattos às 13h20
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A moratória de Dubai
O pedido de moratória de Dubai é importante para o sistema financeiro mundial e deve juntar-se a crise dos bancos e a crise imobiliária norte-americana como um ponto de inflexão da economia capitalista nesse início de milênio. É interessante notar que o petróleo hoje não tem tanta relevância na economia de Dubai. Aliás, as reservas de Dubai estão já maduras – ou seja já estão em contagem regressiva – e todo esse esforço de transformação do Emirado em centro de turismo e de finanças foi deflagrado justamente pela necessidade de se encontrar um substituto a altura para o petróleo. As notícias eram boas até uns dois anos atrás. Com a crise financeira internacional o Emirado de Dubai passou a sentir o reflexo das contenções de investimentos, do empobrecimento dos bancos e também dos baixos preços do petróleo que minaram a sua mais tradicional fonte de recursos. De qualquer forma será realmente lamentável se eles não conseguirem driblar a crise por lá. Como a gente vem escrevendo, os Emirados Árabes – que reúne mais seis Emirados além de Dubai – vem procurando fazer a coisa certa dentro do clima político religioso complicado que há na região. Optaram por uma sociedade economicamente aberta e um estado religioso para quem é muçulmano, mas laico para as outras pessoas. É meio confuso, terá que ser corrigido, mas é um bom começo. Além disso, convocaram universidades e companhias internacionais para um esforço de criar uma região onde coexistam as mais diversas culturas e atividades economicas. Uma repetição de Andaluzia que viveu sobre o domínio árabe por mais de seis séculos e onde conviveram muçulmanos, judeus e católicos em relativa harmonia. Como se vê eu estou torcendo para que essa moratória não seja o começo do fim desse projeto, mas que apenas o adeque ao mundo pós crise.
Escrito por Jose Mattos às 10h32
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