por falar nisso


Alexandre Nardoni terá que copiar "O Fugitivo" para se inocentar.

O assassinato da menina Isabela é tão horrível que a gente fica torcendo pela versão do pai e a madrasta se comprovar e haver mesmo um outro culpado.  Não é que eles tenham conseguido atrair simpatia.  Ao contrário, até agora eles pareceram pessoas frias e distantes de Isabela.  Alguém já escreveu que nesse caso não se viu ninguém de luto pela menina e é verdade.  Mas é que admitir a versão da polícia é aceitar que o pai ao ver a filha de seis anos desacordada por uma agressão de sua mulher, preferiu assumir a que a menina já estava morta, jogá-la pela janela e tentar levar a vida como se tudo fosse um acidente.  Ou seja, ele achou possível jogar o corpo de sua filha pela janela e continuar a vida como se nada houvesse acontecido.  Francamente, mesmo para espectadores de Law and Order: Special Vitims Unit,e de outras belezas trazidas a nossa casa pela televisão, é um pouco demais.

 

No meio dessa tragédia toda me lembrei de uma série antiga da tv chamada “O Fugitivo”.  O mote era o médico Richard Kimble acusado de matar sua esposa e que alegava inocência.  Segundo ele um desconhecido havia matado sua mulher.  Nem a polícia nem a justiça compram essa versão e ele é condenado.  Foge e vai procurar o verdadeiro assassino.  Todos os episódios da série eram as aventuras dele procurando o matador de sua mulher e de um inspetor da polícia que o busca implacavelmente.  O programa dominou a audiência por anos e acabou transformado em filme com Harrison Ford no papel do Fugitivo e Tommy Lee Jones encarnando o policial Sam Gerard.  Tommy Lee Jones acabou levando o Oscar de melhor ator coadjuvante por essa interpretação.

 

Pois bem, é o que resta ao Alexandre Nardoni.  Passar a vida toda a procurar o verdadeiro culpado, o homem que ninguém viu e em coisa de poucos minutos matou sua filha, cortou a teia de arame da janela e a assassinou em vez de simplesmente fugir.

 

O diabo é que no filme o Fugitivo após anos e anos de aventuras termina encontrando o verdadeiro assassino e provando sua inocência.  Acho que é a única saída para Alexandre.



Escrito por Jose Mattos às 09h35
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8 de maio, fim da segunda guerra e o Cruzeiro do Sul

Passo pelo Monumento dos Pracinhas, na praia do Flamengo, e vejo a tropa formada.  É a comemoração do dia da Vitória, do fim da segunda grande guerra.  Nesse país sem memória – será que é possível o futuro sem memória? – são apenas umas trezentas pessoas alí ao sol guardando a lembrança dos grandes brasileiros que se apresentaram no front de batalha europeu.

 

A segunda grande guerra foi sempre meu episódio histórico favorito.  Além das razões óbvias, há também o fato de meu pai ter lutado nas tropas brasileiras.  E eu desde menino vendo os filmes de guerra me espantava com o fato daquele homem que conversava comigo tão mansamente, me enchia de conselhos e carinho ter sido parte do conflito reproduzido nos cinema.  E lá estavam as medalhas brasileiras e estrangeiras que ele recebera e eu gostava de ver e segurar para comprovar não só a sua participação mas a coragem que ele apresentou nas batalhas.

 

Mesmo assim, não tivesse passado hoje pelo Monumento eu não teria hoje lembrado da guerra, dos milhares de brasileiros que morreram ou em combate ou nos navios cargueiros bombardeados em todo o oceano Atlântico pelos submarinos alemães (qualquer dúvida a respeito consultem o Brasil na Mira de Hitler, excelente livro de Roberto Sander, recentemente editado pela Objetiva.

 

A participação de nossos pracinhas na segunda guerra é uma bela passagem da nossa história.  A divisão brasileira ombreou-se as melhores divisões dos exércitos norte-americano, inglês, francês, alemão e dos mais de vinte países que por lá combateram.

 

Essa história irá ganhar esse ano uma versão nova.  Será o relato dos próprios soldados brasileiros sobre a experiência da guerra.   A Leo Christhiano Editorial esta a preparar o livro Cruzeiro do Sul.  Trata-se de edição fac-símile do jornal escrito pelos próprios pracinhas durante a guerra e que circulava pela frente de batalha.  A enriquecê-lo havia ainda textos de Ruben Braga, Joel Silveira e outros famosos repórteres que eram nossos correspondentes de guerra.   

 

Essa coleção foi guardada com amor por Roberto Mascarenhas, neto do Marechal Mascarenhas de Moraes, nosso comandante em chefe da FEB.  E em um trabalho organizado pela Ruy Portilho Assessoria o livro será ainda esse ano colocado à venda.

 

Vamos aguardar.  Vamos esperar para ler os relatos da guerra como ela foi.   Sem o racionalismo dos generais, sem o distanciamento dos estrategistas.  A guerra contada pelo soldado razo, pelo homem que com um fusil na mão ia para luta.

 

Talvez esse relato traga para a memória nacional o valor do dia 8 de maio.



Escrito por Jose Mattos às 13h10
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O Botafogo perdeu de novo e foi de pouco

Dos meus seis leitores diários quatro torcem pelo Flamengo... Portanto, hoje é dia.  Mas eu vou fazer o que a imprensa normalmente faz quando o Flamengo perde.  Ou seja, em vez de escrever sobre quem ganhou o jogo, vou dedicar-me a quem o perdeu.  Esse é um recurso usado pelos nossos jornalistas esportivos para continuarem a falar do Flamengo e continuarem a manter a atenção de seus torcedores mesmo em derrotas.  Eu, portanto, vou falar sobre o grande Botafogo.

 

Bem, em primeiro lugar, vamos ao mais difícil: o Botafogo jogou pior esses dois jogos decisivos.  Perdeu-os sem contestação nenhuma, sem nenhum espaço para o chororô que marcou a nossa diretoria nas últimas decisões.  Livrou-se de coisa pior se nos lembrarmos das duas bolas na trave do nosso goleiro.

 

Dito isso, vamos ao que interessa.  O Botafogo precisa parar de acreditar em mágica e achar que o Cuca sabe criar sinergias capazes de transformar um grupo de jogadores medíocres em uma grande equipe.  Isso tem limite e essa decisão provou isso.  Um time que deseja ser campeão brasileiro, sonha com Libertadores da América, não pode atrelar o seu destino a jogadores que eram reservas em grandes equipes.  Um ou outro estava na reserva por injustiça ou porque o titular era um craque absoluto.  A maioria estava na reserva porque lá era mesmo o seu lugar.  E jogador reserva trava em jogo de decisão, dificilmente tem capacidade para fazer a jogada que decide o jogo.  O Botafogo vendeu o Dodô e ficou se iludindo até ontem.   Ah, mas com o Dodô também não foi campeão.  É verdade, mas jogou muito, jogou de igual para igual, jogou tanto que deu espaço para o chororô de Montenegro, Bebeto e companhia. Isso para não nos lembrarmos do goleirinho sem vergonha que o Botafogo teve coragem de mandar a campo e que estragou totalmente o belo trabalho de Zé Roberto, Dodô e companhia.

 

É isso aí, bola para frente, e se essa diretoria quiser parar de sonhar pare de contratar uns reservinhas espertos e forme ou traga craques.  Ou então é isso, a gente vai continuar quase chegando lá.  



Escrito por Jose Mattos às 08h18
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