Minha amiga e a igreja universal do reino de deus
Com tanta história circulando a respeito do Edir Macedo e sua igreja universal do reino de deus lembrei-me do caso da filha de uma amiga que outro dia encontrei. Depois dos tanto tempo regulamentares perguntei pela menina e soube que estava casada com um pastor da dita igreja. Eu não sou muito de perguntar, mas dessa vez fui mais curioso um pouco. Nem precisou muito, porque a mãe logo abriu o peito, talvez porque amigos distantes sejam um dos melhores públicos para se extravasar o coração. - Pois é, a Carina foi estudar nos EUA e quando voltou se envolveu com essa igreja. Largou a carreira de arquiteta, passou a dedicar-se apenas as reformas e contrução de templos, deixou de frequentar a família, não vinha nem aos nossos aniversários porque havia alcool nas festas, converteu-se totalmente. Eu fiquei desesperada, dei minha filha por perdida. Um dia ela me apareceu para apresentar um namorado. Conversa de la, conversa de ca, descubro que o sujeito é pastor. Imagine. - Não consigo, como é isso. - Enfim, ela é bonita, tem um nível cultural bem melhor do que a maioria dos crentes da igreja, não deixou de ser mulher, acabou com um pastor, até tem lógica, não é? - Esta certo, e como é que estão? - Bem, isso já tem uns anos. E você quer saber, ela é quem esta melhor na família. - ? - Mora num belíssimo apartamento, tem carro importado do ano, empregada, viaja muito, um vidão. - Então esta tudo certo. - É...visto por esse lado não esta mal, mas tem uma coisa que eu até hoje não me conformo. Você imagine que na cerimonia do casamento esse cara só se referia a minha filha como ovelha. No começo eu achei que era outra coisa, mas aí vi que era ovelha mesmo. Quer dizer, ele é pastor e ela é sua ovelha. Ora, eu não parí, criei, amei, eduquei uma menina para ela ser ovelha de ninguém, você não acha? - É esquisito, mas é melhor do que ser mulher do padre... Depois dessa piadinha infeliz perdi novamente minha amiga de vista e aqui lhe peço desculpa ou perdão para combinar melhor com o assunto. Meu Deus...
Escrito por Jose Mattos às 07h22
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Alguém sabe quanto foi o jogo do Brasil?
Era 5 horas da tarde e fui convidado a comer um bolinho para comemorar o aniversário de um colega. Todo mundo que trabalha ou trabalhou em um escritório conhece o ritual e não é esse o assunto, fique tranquilo. O assunto é que de repente eu me recordei que tinha escutado na hora do almoço que a seleção brasileira enfrentaria a Estonia no meio da tarde. Voltei-me para um colega ocupado em equilibrar um gordo pedaço de bolo de chocolate em um pratinho de plástico e perguntei: quanto foi o jogo do Brasil? Não sei, ô Marcus, sabe quanto foi o jogo do Brasil? Não, eu não sei. Dois ou três colegas depois chegou a informação: o Brasil ganhou de 1 a zero. Ví na internet. Quem fez o gol? Não sei, não lí a notícia, só ví o título. Estamos assim e eu não sei se é progresso ou não. Eu sou veterano dos tempos que jogo da seleção era feriado branco. Mesmo que se permanecesse no escritório estava todo mundo ligado no jogo, acompanhando no radinho, na tv na sala do chefe ou recebendo atualizações pelo telefone. Pensando bem, eu acho que é progresso e o futebol não é mesmo sério o bastante para modificar um dia de trabalho. Agora, a seleção brasileira fez por merecer essa passagem para o segundo plano. Se é verdade que ganhou a copa do mundo cinco vezes e nada mais pode se pedir a ela, o fato de hoje ser formada de jogadores que na marioria nunca vimos defender nenhum dos times que disputam nossos campeonatos provocou um alheiamento da torcida. É uma falta de “pertencimento”, nós não sentimos mais a seleção como coisa nossa, para citar o samba de Noel. Comemoramos suas vitórias como se fossem sucessos de um parente distante que nós não vemos desde os aniversários de criança. Ficamos felizes, mas não é nada especial. De todo jeito, ganhamos, graças a Deus!
Escrito por Jose Mattos às 07h38
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As favelas do Rio devem virar bairros?
A favela é um problema para todo mundo menos para o favelado, para ele é solução. Escutei essa frase de um professor e a princípio me pareceu uma rematada besteira. Hoje, passadas quase três décadas, eu não só ainda me lembro dela como consigo entende-la. Por partes: eu não considero a favela uma solução para ninguém. Encarapitar em cima dos morros pessoas que não tem condições de urbanizá-los corretamente, que não tem como pagar serviços públicos para terem acesso a água, saneamento, luz elétrica, gás e tem de criar uma enorme teia de informalidade para gozarem de um mínimo de conforto não pode estar correto nem ser bom para ninguém. Por isso mesmo, na maioria das cidades as colinas são urbanizações ocupadas pela classe média e acima. Pela simples razão de que é mais caro viver aí. Caindo na realidade carioca, é claro que o mal já esta feito, as belas montanhas da cidade estão povoadas do jeito que se sabe e com todas as conseqüências que eu não vou repetir. Agora trata-se de mitigar esse desacerto e é nessa direção que se escutam centenas de idéias. Começa então a tomar força a proposta de ceder títulos de propriedade aos favelados. Em princípio qualquer um pode achar uma injustiça que um cidadão ganhe um título de propriedade em um terreno com vista para o mar, por exemplo. Ou na Tijuca onde todos os serviços da cidade estão disponíveis e vive-se próximo do centro e com acesso a todas as zonas urbanas. Em um passe de mágica e igual a história de Cinderela milhares de construções ilegais iriam não só estar legalizadas mas valorizadíssimas devido a suas localizações. A carroça se transformaria em carruagem de luxo. Por outro lado estaríamos viabilizando crédito para milhares de famílias, estaríamos dando a eles uma razão para investirem na conservação dessas áreas, estaríamos dando um início de patrimonio capaz de alavancá-los rumo a uma vida melhor. Para essa solução vingar é preciso nós esquecermos muitos preconceitos e nos conformarmos que perdemos para sempre a beleza de centenas de encostas e que definitivamente ao longo das últimas décadas o Rio ficou menos maravilhoso. A partir daí vamos tratar de salvar o que ainda existe e arrumar o mal que já está feito. E salve meu professor!
Escrito por Jose Mattos às 10h01
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É fácil ser autoridade
Pois é, eu ando tão crítico em relação aos nossos oligarcas e de repente vem a vida e me da o gostinho do privilégio. Explico: ontem fui para a cidade atender a uma reunião importante, dessas poucas que ainda se coloca terno e gravata para entrar na sala. À hora de sair de casa lembrei-me de um belo e caro relógio de pulso que estava sem bateria. Coloquei-o no pulso e chegando a cidade entrei em uma relojoaria para trocá-la. Para minha surpresa havia uma pequena fila de quatro pessoas aguardando para também trocarem a pilha ou fazerem qualquer outro pequeno conserto em seus relógios. Passados alguns minutos eu comecei a ficar impaciente e a consultar a hora no celular preocupado com a reunião. Eu não falei nada, mas estava óbviamente a fazer caretas porque uma vendedora muito gentil aproximou-se e discretamente pediu que eu lhe passasse o relógio. Isto feito, ela foi até o balcão do relojoeiro e colocou-o em cima da mesa de consertos. Nenhuma palavra foi dita e o técnico nem percebeu visto que estava entretido trabalhando. Passaram-se uns dois minutos e a vendedora já de seu lugar na loja perguntou ao relojoeiro: O relógio do dr. ja esta pronto? Que relógio? Esse que ele deixou aí para trocar a bateria... você não trocou? O dr. esta aqui esperando. A essa altura o técnico retirou lente de aumento que usava, olhou o balcão, viu o relógio e mirou a fila para identificar o dono. Encarou o bonitão aqui de terno e gravata e mandou: desculpe doutor. Eu vejo o seu ja. As três pessoas a minha frente se entreolharam, voltaram seus rostos até a vendedora, a mim e se conformaram. Nenhuma reclamação. O nosso técnico rapidamente passou-se para o meu relógio e em poucos minutos entregou-me com um elogio que naquela hora só piorou o meu silencioso constrangimento: esta aí dr. Um relógio bom desses a gente até treme quando abre a máquina. Peguei, paguei e saí rápido. Uma história vergonhosa, vocês não acham? Afinal, eu consentí em passar na frente de várias pessoas que é claro também tinham seus compromissos. E tudo se resolveu a meu favor baseado na minha aparência. Estivesse eu sem a fantasia de executivo de multinacional provavelmente aguardaria na fila como era o certo. Mas calei-me e ninguém reclamou. Moral da história: estou pensando seriamente em mudar-me para Brasilia. Acho que eu levo jeito e ainda da tempo...
Escrito por Jose Mattos às 06h47
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AVENTURA NAS SERRAS DO RIO - Vassouras esta um espetáculo
Caramba, que aventura. Saímos as 11 horas de Itaipava rumo ao Vale das Videiras que fica ali logo após Araras. Para quem não é do Rio deixem-me explicar: estamos na Região Serrana e a cidade de referência é Petrópolis. Mas, então lá chegando resolvemos enfrentar os 25 kms de terra que levam até Pati do Alferes. O dia de hoje foi realmente lindo. O céu na serra estava de um azul profundo, o verde era perfeito e da temperatura o ar condicionado do carro cuidava, porque a gente gosta de natureza sem exageros. Pois chegamos em Pati e resolvemos continuar até Miguel Pereira, por que não? E lá fomos nós trançando pelas estradas, vendo as lindas montanhas arredondadas e verdinhas que são a marca registrada do relevo da área. É uma miniatura das grandes cordilheiras, o contraste entre os vales (O vale do Andaluz, por exemplo) e as rochas formam pasiagens “suíças” de quatrocentos, seiscentos metros de altura. É só tirar um zero e você brinca de Europa, de Colorado. Já que chegamos em Miguel Pereira...vamos até Vassouras? Foi a melhor decisão do dia. Vassouras esta uma pintura. A grande praça, com a linda fonte e dezenas de crianças soltando pipa valeram a viagem. Um almoço bem gostosinho em um restaurante chamado Hipólito ajudou a refazer as forças. E depois caminhamos pelas ruas arborizadas, figueiras imensas, casas assobradadas. Um shopping moderno e do tamanho certo para a cidade quase me levou um dinheirinho, por sorte não tinha do meu tamanho. A volta para o Rio foi por Mendes, Paracambí e caímos na Dutra. A partir daí tudo normal, inclusive o engarrafamento na entrada da cidade. Agora vou sair para tomar um bom chopp no Belmonte (que o pessoal da AMOUR me perdoe) e comemorar o dia dos pais. Domingo cheio.
Escrito por Jose Mattos às 20h47
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