por falar nisso


As duas faces do bafometro

 

O grupo estava alí bem desmoralizado.  Todos os quatro pessoas bem sucedidas e sem a menor intimidade com batidas policiais.  Tinham sido parados pela blitz do bafometro.  O motorista tinha mesmo bebido suas duas taças de vinho e, como se sabe, isso agora é crime.

Ele se recusou ao exame de maneira a evitar o processo e la estavam eles cabisbaixos a espera de um amigo que vinha resgatá-los.

A blitz prosseguia normalmente quando entra na área um carro com quatro rapazes.  De saída se notava o som altíssimo.  Os policiais solicitaram aos rapazes desocupassem o carro.  Dois saíram com latinhas de cerveja.  Em cima dos bancos havia outras latinhas...

O policial perguntou ao motorista se iria fazer o teste do bafometro.  Ele hesitou um pouco e depois aceitou com o ar de quem fazia uma bravata.  Caminhou lentamente até o local do teste e expirou seu bafo com toda força.  Nada.  Repetiu e nada de novo.  Os outros rapazes começaram a rir e só aí a polícia deu-se conta que tudo era um logro.  O motorista não bebera nada e eles obviamente haviam parado na blitz para tirarem um sarro.

Em um primeiro momento nosso grupo sentiu pena dos policiais e achou a garotada muito abusada.   Passados alguns minutos mudou o estado de ânimo e todos começaram a rir satisfeitos.

Estavam pelo menos um pouco vingados dessa estúpida lei que impede dois casais de saírem para jantar e repartirem uma garrafa de vinho.  E os pune como se estivessem completamente bêbados.

A garotada seguiu adiante.

 



Escrito por Jose Mattos às 22h14
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O jeitinho brasileiro da dona Lina.

Esse depoimento da dona Lina mostrou como o jeitinho brasileiro funciona.  Veja bem,  ninguém duvida que o encontro ocorreu.  A tranquilidade do depoimento, os detalhes, é muito difícil para alguém mentir com tanta facilidade na frente do Senado (por respeito e também por saber estar se dirigindo a especialistas em mentira...).  Mas a situação ficou muito feia, a Ministra negou o que não devia e era necessário se achar um jeito, o famoso jeitinho para ninguém se dar mal.  E ele foi achado: dona Lina confirma o encontro, mas não se lembra em que dia foi.

Hum...quer dizer então que uma alta e competente burocrata é chamada ao gabinete da executiva mais importante do governo, essa lhe pede uma providência fora do contexto e envolvendo uma das famílias mais importantes da república e ela não se recorda que dia foi?  E esse dia ocorreu há poucos meses?

Mas então há que se salvar a república e dar margem de sobrevivência para a Ministra.  Assim foi feito.  Se ela não se lembra do dia ficará difícil prosseguir essa investigação e vamos enfrente.  A se a acreditar no que esta apresentado esse realmente foi um encontro desimportante.  Afinal, uma das participantes não se recorda dele e a outra se esqueceu em que dia foi...



Escrito por Jose Mattos às 06h34
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A decadência do futebol carioca

O futebol carioca esta literalmente caindo pelas tabelas.   Ou melhor, pela tabela do Brasileirão.  Os times do Rio não são mas respeitados nem pelos adversários, nem pelos melhores profissionais de país que preferem prestarem seus serviços em outras praças.

Não foi fácil chegar até aqui.  Levou tempo, dedicação, aplicação, concentração e todos os ãos que os jogadores gostam de citar quando explicam um resultado.

O meu Botafogo, por exemplo, vem lutando contra a mediocridade sem conseguir vence-la nunca.  Esse ano a diretoria resolveu que trazendo de volta todos os jogadores que haviam sido vendidos e estavam na reserva em seus novos times iria formar um grande time.  É uma idéia que não surje do nada, é um idéia que resulta de todo um processo mental, cultural que é contrário a vontade de ser campeão.

Vontade de ser campeão é o que move os grandes atletas e os grandes times.  Qual o time do Rio que tem vontade de ser campeão brasileiro?  Todos eles talvez sonhem em ser campeões brasileiros.   Haverá algum que tem vontade, que transforma essa vontade em projeto e o persegue fanaticamente como é necessário para se ser campeão?

Duvido.  Alguém aí discorda?



Escrito por Jose Mattos às 20h42
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O incrível corporativismo brasileiro

Saiu o edital do concurso para tradutor juramentado.   Uma amiga venezuelana, com residência no Brasil, cpf, rg e todos os outros documentos necessários para atestar a legalidade de sua presença interessou-se em prestar o exame.  Ela possui formação superior em seu país, fala diversos idiomas e hoje domina o português.

Pois bem, quando foi ler o edital deu-se conta da exigência de ser brasileiro nato.  Alguém poderia dar-me a razão dessa exigência?   Para traduzir-se um documento do português para o espanhol há que se possuir a nacionalidade brasileira?  Ou seja, se eu estou na Argentina e preciso traduzir um documento espanhol para o português.  Procuro um tradutor juramentado local e faço a tradução ela não será válida aqui porque ele não é brasileiro?

O que espanta em uma caduquice dessa é a demonstração explícita de nosso corporativismo.  Essa é a mesma raiz que nos faz exagerar tantas vezes no nacionalismo como foi o caso da desastrosa lei de proteção a informática que tanto atraso causou ao país ou do sistema de transmissão de TV colorida desenvolvido especialmente para o Brasil.

São os cartórios do nosso atraso.



Escrito por Jose Mattos às 22h58
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