Diario de Brasilia
A cada vez que eu retorno à Brasilia a trabalho mais aumenta a minha perplexidade a respeito do que é aquilo ali. Ontem eu cruzei na Câmara com: um grupo de estudantes da UNE devidamente uniformizados, um grupo de oficiais do exército todos com aquela farda de camuflagem que dentro do prédio do Congresso tem o efeito oposto e é visível a quilômetros, um grupo de soldados da PM de Brasilia pedindo aumento de soldo, vários lobistas defendendo aos vários interesses em jogo nessa história de pré-sal, jornalistas correndo de um lado para o outro tentando saber se alguém tinha notícia, sindicalistas defendendo a diminuição da jornada de trabalho para quarenta horas. Meninos, eu ví essa gente em menos de três horas. E é claro eu ví também várias de suas Excelências a receberem ou fugirem de todos esses grupos. Como é que sai alguma coisa que preste desse processo é coisa que eu nem desconfio. É mais confuso do que o antigo pregão das bolsas com aqueles corretores todos gritando e se empurrando na ansia de conseguirem os melhores preços para as ofertas de seus clientes. Depois também tem o problema do intrincado processo de tramitação das leis. Cada vez que você pergunta você aprende mais um pouco e fica um pouco mais perdido: É terminativo, termina na Comissão. Agora, se houver destaque, você vota em todo o PL menos o destaque. Depois se for aprovado vai ao plenário. Agora se houver emenda supressiva aí é diferente, entendeu? Claro, lógico... Bom, vamos tomar um café e tentar descobrir se o dia foi negativo ou positivo. Estamos em quatro e dois pensam que foi positivo, um que estamos na mesma e o outro que estamos perdidos. Na televisão a imagem de um deputado se esguelando sobre o programa cultural do trabalhador nos rouba a concentração. O café esta bom. São seis horas da tarde, vamos para o aeroporto, vamos para casa, algum dia a gente ha de entender o que se passou aqui hoje.
Escrito por Jose Mattos às 15h55
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